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Como as doenças reprodutivas em gado de leite Impactam nos Resultados?

A rentabilidade de qualquer sistema de gado de leite depende da eficiência reprodutiva e qualidade do produto. Nesse sentido as doenças reprodutivas representam grande perigo para sua fazenda, veja o porquê:
por Renato Reis em 11/Feb/2019

As perdas geradas por doenças, em qualquer rebanho, podem acarretar diversos entraves para o negócio da pecuária como um todo. Esse quesito é indiscutível.

Outro ponto fundamental na pecuária é que não podemos desatrelar os índices produtivos, reprodutivos e financeiros em nenhuma fazenda. Todos eles sempre se interligam de alguma forma.

Mas, no caso de bovinos de leite, as consequências geradas por erros ou doenças reprodutivas podem ser catastróficas.

O que acontece é que a produção leiteira está diretamente ligada ao ciclo reprodutivo dos animais utilizados para essa finalidade.

Ou seja, quanto melhor o status reprodutivo do animal maior será o ganho em produção de leite.

O grande problema é que cerca de 50% das perdas gestacionais são promovidos por essas afecções e, na maioria das vezes, a identificação delas é feita justamente quando a perda já é irreversível, ou seja,quando há aborto.

Assim, quando o pecuarista suspeita ou descobre que há alguma coisa errada, a chance do rebanho estar infectado é grande. Além de já ter perdido dinheiro e tempo com as gestações abortadas.

No texto de hoje você vai saber quais são as principais doenças reprodutivas que atingem bovinos de leite e como elas afetam a produtividade financeira do seu negócio.

Quais são as principais doenças reprodutivas?

 

gado de leite

 

Não há como afirmar se há uma doença pior ou menos prejudicial que outra, na verdade isso varia de fazenda para fazenda.

De mesmo modo que definir as principais é um tarefa delicada, afinal existem alguns patógenos que sobrevivem melhor em ambientes diferentes.

Por isso vamos traçar as doenças reprodutivas mais comuns nos rebanhos bovinos brasileiros de acordo com sua origem, ou de acordo com sua etiologia.

Você sabe quais as doenças mais comuns e como elas agem?

Leptospirose Bovina - Bacteriana

Todos conhecemos a leptospirose! Mas, por mais que nos humanos ela esteja controlada, com os bovinos não é bem assim.

Após a contaminação do animal e um período de circulação sanguínea, a leptospira, bactéria que causa leptospirose, atinge o útero, provocando problemas reprodutivos como aborto, natimorto e nascimento de bezerros fracos.

Embora seja uma bactéria que exista em todo o território nacional, a disseminação é mais freqüente em locais ou períodos de maior umidade. Mas se engana quem pensa que o disseminador é o outro animal!

Bovinos infectados, são reservatórios da doença no rebanho e podem transmiti-la aos animais saudáveis.

O rato ou gabá tem um papel importante mas somente para trazer a doença para dentro. A partir daí, os bovinos infectados são os disseminadores, de forma oral ou cutânea.

 

Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) - Viral

A IBR é causada por um vírus (herpesvírus) que não causa só problemas reprodutivos como também pode provocar lesões em outros locais do organismo do animal.

Esse nível de várias lesões tende acontecer principalmente em animais jovens, que foram contaminados pelas suas mães, enquanto em adultos, a contaminação ocorre principalmente via cópula.

A grande problemática desse vírus é que pode permanecer em alguns locais do organismo, principalmente gânglios nervosos, por longos períodos, em estado de latência.

E isso é perigoso, afinal, se não houver manejo atrelado à exames periódicos ou acompanhamento clínico, o Herpesvirus pode atacar a qualquer momento de maior fragilidade do animal hospedeiro.

 

Diarréia bovina a vírus (BVD) - Viral

A BVD é provocada por um vírus da família Pestivírus, que é parecido com aquele famoso que causa danos nos rebanhos suínos, causando a Peste Suína.

Em animais cronicamente infectados, o Pestivírus pode causar um quadro chamado de Doença das Mucosas.

A infecção pode ser transmitida por inalação, via oral ou transplacentária (mãe-feto). Se o feto for contaminado entre 50 e 120 dias de idade e não morrer, pode se tornar permanentemente infectado.

A partir daí, após o nascimento, esses animais são disseminadores do vírus no rebanho. Dessa forma, o cuidado tem que ser redobrado, afinal eles não são detectados pela sorologia convencional.

 

Brucelose - Bacteriana

A Brucelose é uma doença bacteriana pouco diagnosticada porém muito prevalente. Acontece que, pesquisas mostram que apenas 20% do rebanho nacional é examinado com a técnica e rotina adequada.

Aí é que surge o grande vilão da brucelose: O fato dela não ser invasiva é que gera essa quadro de pouco diagnóstico.

Acontece que, quando infectada, a probabilidade da fêmea abortar em decorrência da brucelose reduz-se com o passar das gestações. E isso diminui a potencialidade do alerta de que há algo errado com o rebanho.

Ou seja, é mais provável ocorrer um aborto na primeira gestação após a contaminação do que nas gestações subseqüentes. Fazendo com que os produtores não identifiquem isso como um “problema” afinal não há tanta recorrência abortiva.

O problema é que, embora a taxa de aborto tenda a se reduzir com o tempo, fêmeas jovens manterão a taxa de abortamento elevada.

Enquanto isso, as mais velhas, já infectadas, geralmente apresentam problemas de parto e produzem bezerros fracos, com baixa viabilidade.

 

vaca com bezerro abortado

 

Neosporose - Protozoário

A Neosporose é causada por um protozoário, cujo hospedeiro definitivo é o cão, e é ele o responsável pelo maior número das transmissões para bovinos.

Em algumas regiões do mundo, onde a brucelose e outras doenças estão controladas e bem mapeadas, a neosporose ainda assim se destaca como a principal causa de aborto.

A importância econômica da neosporose bovina é atribuída principalmente aos custos associados ao aborto, ao valor dos fetos, à diminuição da produção de leite, ao aumento do descarte e à reposição dos animais.

 

Campilobacteriose - Bactériana

É uma doença que pode atingir tanto machos quanto fêmeas, sendo que em machos os problemas são menores, por que ficam limitados em infecções nos órgãos copulatórios.

Nas fêmeas, a Campilobacteriose geralmente causa danos nas fases iniciais de gestação e os principais efeitos estão relacionados a alteração do ambiente uterino, alterações no desenvolvimento embrionário, dificuldade de implantação, morte e reabsorção embrionária.

Estes problemas causam principalmente falhas na fertilidade. Após a contaminação, as bactérias se multiplicam inicialmente na vagina e dentro de duas semanas atingem útero e tubas.

A produção de anticorpos pela fêmea pode eliminar os agentes em cerca de 6 a 8 semanas. Em casos mais raros podem ocorrer abortos em fases mais tardias da gestação.

Outro fator importante é saber que o Touro é o principal disseminador dessa efermindade, afinal a sua transmissão é realizada via cópula.

 

Tricomoniase - Protozoário

Nas fêmeas, a Tricomoníase pode provocar inflamações na vagina, cérvix e útero. Quando ocorre aborto, pode ser observado nas fases iniciais da gestação, ou pode somente causar repetição de cio.

Quando invade o útero gestante, a morte pode ocorrer por ação direta no embrião ou por alterações inflamatórias no endométrio. Quando a fêmea se contamina, abortando ou não, elimina o agente por um período de cerca de 8 semanas no muco cervical.

Nesse período ela raramente ficará gestante, o que é outro fator de alerta para o produtor.

Já nos touros geralmente não são apresentadas lesões causadas pela Tricomoníase, fazendo com que se torne um disseminador e portador assintomático do agente que não elimina de maneira espontânea a patologia.

O diagnóstico é feito com a coleta de material nas vacas e, principalmente, nos touros onde o tratamento ou prevenção deve seguir ao isolamento dos agentes.

Em casos positivos, atenção especial deve ser dada aos reprodutores (touros). A vacinação contra Campilobacteriose é indicada em rebanhos que utilizam monta natural.

Por que essas doenças acontecem?

 

bezerro saudável

 

Essas doenças ocorrem geralmente por falta de manejo sanitário adequado onde o produtor na maioria das vezes não faz a gestão dos índices reprodutivos do rebanho.

A junção desses três fatores (manejo + prevenção + controle) deve ser levada a sério.

Uma vez que não há prevenção os animais ficam expostos, se não há manejo sanitário adequado aumenta o risco de infecção dos animais.

A gestão dos índices reprodutivos, por sua vez, além de fornecer informações importantes para seu planejamento, pode auxiliar na abordagem de casos clínicos.

Afinal, não acompanhando a média considerada normal de abortos, taxa de concepção, e cio em um rebanho, olha-se apenas os sinais clínicos aparentes, esquecendo de olhar os sinais subclínicos destes animais.

Tendo como principal consequência um maior intervalo entre partos, causando grandes prejuízos na propriedade.

 

O que fazer para evitá-las?

Identificando o Problema

A dificuldade em identificar e “corrigir” caso alguma dessas doenças esteja acometendo o seu rebanho varia bastante. Ela depende do período da perda:

Perda muito precoce

Uma perda muito precoce, por exemplo, que é aquela que acontece antes de 1 mês, é muito difícil de ser visualizada.

O animal volta ao cio normalmente e a gente nem percebe que ele foi fecundado, também não gerando o “sinal de alerta”.

Perda Precoce

Na perda precoce, a partir dos 30 até os 90 dias, o produtor que está preocupado, atento ao seu rebanho, já pode perceber alguns sinais clínicos.

Assim como pode notar que o animal está dando cio em períodos irregulares, outro fator que demonstra algo errado.

Perda Tardia

Neste caso, já é mais fácil identificar, você pode ver um produto de aborto ou uma placenta retida, mas o prejuízo é maior.

Afinal, o animal que dá uma perda tardia para de dar cio, fazendo com que o tempo de vaca vazia aumente, gerando gastos em todos os aspectos.

aborto de bezerro por doença

Prevenindo o Problema

Algumas destas doenças reprodutivas podem ser prevenidas através de vacinação, evitando a contaminação adulto-adulto pelas avaliações individuais de irregularidades nos índices dos animais.

Outra prática que não deve ser negligenciada é o manejo sanitário correto, observando animais que apresentam sinais clínicos, isolando estes dos animais saudáveis do rebanho.

Assim é possível tratar individualmente estes animais a fim de evitar a transmissão dessas enfermidades aos demais.

Qual o impacto delas no resultado da fazenda?

O resultado reprodutivo é um dos fatores que mais afeta a lucratividade e produtividade de um rebanho.

Em um sistema que a reprodução não tem eficiência, temos como consequências principais:

  • Um maior gasto com inseminação
  • Maior gasto com medicamentos para tratar as doenças reprodutivas
  • Descarte involuntário dos animais acometidos
  • Diminuição da longevidade destes animais
  • Queda no número de animais de reposição
  • Queda no progresso genético.

Também vai haver um aumento de vacas secas no rebanho e um prolongamento do período seco destes animais, aumento do intervalo entre as lactações, com consequente redução do potencial de produção de leite.

Então, é essencial manter um sistema de gestão das informações reprodutivas do rebanho, que permita identificar possíveis problemas que estejam causando perdas, facilitando assim, a tomada de decisão.

De mesmo modo, identificar os animais que estão fora do padrão é importante para poder corrigir estes problemas antes que o prejuízo seja cerco e as consequências irremediáveis.

Deste modo, para abranger máxima produção leiteira a um mínimo custo de produção, os animais devem manter um ciclo reprodutivo estável.

Evitando assim a ocorrência de doenças reprodutivas, que acarretam grandes intervalos entre partos, perda de produtividade e prejuízos financeiros.

Sobre Renato Reis

Graduando em Medicina Veterinária pela UNIBH, está envolvido com a pecuária de Leite desde 2015, acompanhando de perto produtores os ajudando-os na área de sanidade animal. Hoje é estagiário da PRODAP no time do Corte, onde continua a desenvolver a pecuária no Brasil.

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