Peletização de Ração: 04 Pontos que garantem sua Qualidade

A peletização de rações é relativamente complexa e cara. Garantir a qualidade do processo nem sempre é fácil, você sabe quando o pellet é bom? Entenda aqui:
por Mariana Porto em 28/Jan/2019

O processo de peletização de rações é relativamente complexo, com alto custo operacional, além de manutenção dificultada em decorrência do envolvimento de relevante número de peças de reposição.

Desse modo, muitos produtores ficam com receio se a sua abordagem de pelletização é a melhor possível e os fazendeiros, por outro lado, podem comprar um pellet de má qualidade sem saber... É isso que vamos resolver aqui!

O objetivo da peletização é que cada pellet, ou unidade mínima, represente verdadeiramente a fórmula da ração, que deverá satisfazer às necessidades nutricionais dos animais e ter boa estabilidade e durabilidade.

Outra questão é garantir que o pellet seja apropriado para os transportes e satisfaçam em forma e tamanho as exigências de cada espécie animal.

Por isso é importante que a peletização corra da forma mais correta possível, para que seja possível obter boa eficiência do maquinário aliado à uma boa qualidade do pellet

Mas afinal... O que é peletização?

Peletização consiste no ato de transformar materiais farelados submetidos a tratamentos térmicos (temperatura e umidade) e pressão em Pellets ou grânulos.

Este processo melhora sensivelmente a qualidade nutricional, porque o aquecimento, durante a peletização, é capaz de reduzir a carga de microrganismos das rações! Sua principal vantagem para o processo nutricional do rebanho é super importante:

Promoção da desagregação da amilose e da amilopectina

É importante saber disso porque juntas essas duas enzimas formam o amido, que tem papel fundamental da dieta do rebanho. A peletização, quando bem feita, proporciona a gelatinização desse amido do grão, facilitando a digestão e também a qualidade microbiana destes alimentos.

Por outro lado, o processamento inadequado é incapaz de atingir tais objetivos, reforçando a necessidade de se produzir um pellet de boa qualidade. Abaixo vamos pontuar alguns fatores que interferem na qualidade dos pellets e também na capacidade da peletizadora.

pellet de qualidade

Fatores que Influenciam na Qualidade dos Pellets

Fórmulas das Rações Pelletizadas

Como já vimos, o pellet transforma materiais farelados em grânulos. As fórmulas desses materiais farelados devem conduzir o processo de peletização para que o grânulo final possa oferecer ao rebanho maior digestibilidade mantendo o valor nutricional, entenda:

Fibrosas

Rações com alto teor de fibra produzem pellets mais rígidos, com misturas mais homogêneas, no entanto estas fórmulas tem sua passagem dificultada pela matriz da máquina, reduzindo a capacidade de produção da peletizadora.

Proteicas

Requerem grande quantidade de calor e pouca umidade, uma vez que a água deixa a proteína pegajosa, entupindo os furos da matriz. Utilizando quantidade de calor adequada, há ocorrência de plastificação das proteínas.

Alto teor de Amido

Requerem altas temperaturas e alto teor de umidade. Nessas condições a gelatinização do amido é alta e os pellets são de boa qualidade, uma vez que com o resfriamento dos mesmos, os açúcares decorrentes do processo, servirão como aglutinantes.

Açúcares e Derivados Lácteos

Devem ser peletizadas com baixo calor (abaixo de 60°C), para não ocorrer o processo de caramelização (reação de Maillard) e consequente obstrução da Matriz. Recomenda-se matrizes pouco espessas, a fim de reduzir aquecimento excessivo por fricção.

Alto teor de Ureia

Rações com altos níveis de ureia, requerem baixo calor e baixa umidade, já que a ureia é Higroscópica, formando pellets pegajosos e com dificuldade na produção.

Vapor

O Conhecimento sobre os princípios de vapor auxilia a tomada de decisão prática das operações afinal ele é fator essencial na produção de pellets de alta qualidade e na redução dos custos de produção.

Isso acontece porque o condicionamento adequado da ração com vapor melhora a durabilidade dos pellets e a eficiência do processo, devido ao controle da umidade.

Vários operadores e colaboradores de fábricas se esquecem de que todos os ingredientes têm capacidade de absorver e devolver a umidade do ar. Portanto, se um ingrediente foi produzido em uma área extremamente úmida, é provável que ele tenha absorvido grande quantidade de umidade.

Desse modo, a medida com que esse ingrediente interaje com o ar, a quantidade de vapor a ser adicionada no processo de peletização é menor do que a seria adicionada em mesmos ingredientes produzidos em condições opostas.

valor do pellet

Quando a pressão de vapor é reduzida, sua velocidade e temperatura também sofrem redução. Para que esse vapor se transforme em água é necessário que esta temperatura caia até 100°C!

Portanto, uma vez que há alta pressão, a queda da temperatura é incompleta e por consequência a umidade utilizada no processo de peletização também é reduzida.

Granulometria

O tamanho das partículas possui grande influência no processo de peletização, pois é responsável também pela qualidade dos pellets.

Quando se trabalha com uma moagem mais fina permite-se uma maior penetração de calor e umidade nas partículas dos ingredientes, devido à uma maior área de superfície de exposição proporcionada pelo baixo DGM.

No entanto, deve ser levada sempre em consideração a melhor granulometria para a espécie a que se destina a ração.

Com uma moagem mais grosseira, aumenta-se o risco de produção de pellets quebradiços, pois uma partícula maior no interior ou na superfície dos pellets, cria uma região fragilizada, funcionando como um ponto de quebra.

Além disso, há uma maior porcentagem de finos quando se trabalha com DGM maior.

Resfriamento:

Durante o processo de peletização, o tratamento agrega níveis significativos de umidade (5 a 7%) e temperatura (50° a 60°C). O resfriamento realiza a operação de resfriamento dos pellets de ração, assim que os mesmos saem da matriz da peletizadora.

Os operadores devem buscar sempre a maximização da capacidade de resfriamento de suas peletizadoras, não sendo desejável permitir que a temperatura de seus pellets seja superior a 10°C acima da temperatura ambiente, sob pena de terem que ser reprocessados.

Embora sejam muitas as variáveis e que, talvez você não consiga controlar todas com perfeição, entender a composição e tecnologia por tras do pellet é importante.

Esse entendimento agrega muito valor à qualidade do seu produto, seja você produtor da fábrica ou do campo afinal, são os dois, trabalhando em conjunto, que fornecem nutrição adequada aos rebanhos, gerando lucro e produtividade para todo o sistema pecuário no Brasil.

Sobre Mariana Porto

Graduanda em Letras pela UFMG e desde muito cedo apaixonada pela escrita, entrou no Marketing em 2014 onde viu uma oportunidade de se conectar com as pessoas através da tecnologia. Na PRODAP desde 2018, é apaixonada por tranformar histórias!

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