Acidose Ruminal: o que é, prevenção e tratamento.

A acidose ruminal é uma doença metabólica causada principalmente pela alta ingestão de grãos ou outros carboidratos não-fibrosos. Saiba como ela ocorre, como prevenir e tratar o seu rebanho!
por Pedro Carvalho em 19/Nov/2020

A acidose ruminal é identificada muitas vezes por perda do apetite, desidratação, diarreia, depressão e, quando não é efetuado o tratamento curativo, pode levar à morte.

Nesse texto você vai entender um pouco mais como a acidose ruminal se desenvolve, o porquê, como previnir que ela afete o seu rebanho e quais os melhores caminhos para o tratamento.

O que é acidose ruminal?

A acidose ruminal, também conhecida como acidose lática, é causada por um desequilíbrio entre a produção de ácidos no rúmen, a partir da fermentação ruminal de carboidratos não estruturais. 

A enfermidade ocorre na sua forma aguda com presença de alta concentração de ácido lático no rúmen, principalmente em animais em confinamento recebendo dietas de terminação com alta concentração de amido e outros carboidratos fermentáveis no rúmen. 

Ocorre também em vacas leiteiras devido à grande concentração de carboidratos não fibrosos, como açúcares e amidos. 

De maneira geral, nessas dietas ocorre a ausência ou insuficiência de tamponantes e alcalinizantes, como a saliva proveniente da ruminação.

Vaca comendo

O que causa acidose em ruminantes? 

Para a maioria dos ruminantes, o principal ingrediente da dieta são as forragens. 

Como forragens geralmente contêm altas concentrações de fibra que são digeridas lentamente no rúmen e não causam a produção de ácido lático, dificilmente dietas equilibradas e baseadas em forragem causam distúrbios digestivos.

Por outro lado, o fornecimento de alimentos concentrados na forma de grãos na dieta para aumentar o consumo de energia e desempenho animal, aumenta a quantidade de carboidratos a serem fermentados pela microbiota ruminal, o que promove a produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Como ocorre a acidose ruminal?

Com a ingestão de carboidratos, microrganismos ruminais irão aderir-se às partículas do alimento e iniciar o processo de digestão (DEGRADAÇÃO) de “dentro pra fora”, ou seja, as bactérias têm que se aderir à porção interna do alimento e produzir enzimas que irão digerir, destruir ou quebrar as ligações do mesmo. 

Quando microrganismos celulolíticos digerem a celulose (Carboidratos estruturais, ex.: Forragens) há maior produção de acetato. 

Já quando amido e açúcares predominam na dieta, microrganismos amilolíticos digerem esses carboidratos, (Ex.: Amido do milho) há um aumento na produção de propionato e redução na concentração total de acetato. 

Com o acúmulo de ácido propiônico no rúmen, o ph cai, criando condições propícias para microrganismos produtores de ácido lático, que por sua vez são 10 vezes mais fortes que os agvs, contribuindo ainda mais para a redução do ph e acentuando a acidose. 

Isso quer dizer que: como os microrganismos que digerem amido e açúcares se multiplicam mais rapidamente do que aqueles que digerem fibra e sua taxa de digestão também é mais rápida, o pH ruminal é mais baixo quando o amido é digerido se comparado com a celulose. 

Essa alteração no pH ruminal facilita o crescimento microbiano, já que microrganismos celulolíticos e hemicelulolíticos (digestores de fibra) tem desempenho maior com o pH acima de 6,5, enquanto os amilolíticos (digestores de carboidratos não fibrosos) tem seu ambiente ótimo com pH entre 5,5 e 6,5.

 

Indicativos da acidose em bovinos:

Com a queda do ph,  o crescimento microbiano é reduzido, consequentemente, a população de bactérias será menor, reduzindo também a digestibilidade da dieta e impactando de forma negativa a ingestão de matéria seca.

Tem-se uma queda dos teores de gordura do leite, ficando abaixo dos 3,2%. Como a população microbiana foi comprometida, os níveis de proteína metabolizada reduzem, consequentemente, também reduzindo o teor de proteína no leite. 

A relação gordura proteína também altera, ficando abaixo de 1. Observamos oscilação no consumo e produção de leite dos animais. As fezes ficam moles, fétidas e com presença de bolhas de ar.

Prevenção de acidose em ruminantes

Para prevenir a acidose ruminal, deve-se atentar à  formulação de dietas que não predisponham a produção excessiva de ácidos no rúmen, assim como o manejo nutricional para evitar mudanças no ambiente ruminal, independentemente da composição da dieta. 

Também devemos atentar para a adaptação das papilas ruminais, para que elas consigam absorver rapidamente os agvs produzidos na degradação dos carboidratos

Como a ocorrência de acidose subaguda é dependente do balanço entre produção e neutralização de ácidos orgânicos, é importante que ambos os aspectos sejam levados em consideração na prevenção do problema. 

O fornecimento de FDN fisicamente efetivo na dieta tem vários efeitos na redução da acidose ruminal. 

Primeiro, o incremento na quantidade dele na dieta, invariavelmente, resulta na redução da concentração de carboidratos não fibrosos, principalmente amido, promovendo, portanto, uma diluição de carboidratos fermentáveis no rúmen. 

Apesar dessa diluição é importante que a fonte de fibra tenha estrutura física e capacidade de estimular ruminação e salivação, tendo em vista que, a saliva chega a neutralizar 50% de ácidos no rúmen. 

A disponibilidade de água em quantidade e qualidade, influencia diretamente na prevenção da acidose, por meio de diluição, deixando a concentração de ácidos menores no rúmen.

Tratamento de acidose ruminal

O tratamento da acidose ruminal aguda é baseada na remoção da causa do problema (desbalanceamento nutricional) e restabelecimento do equilíbrio ácido-básico do animal. 

Como estamos cada vez mais desafiando nossos animais, com dietas mais energéticas, utilizando carboidratos de alta fermentação no rúmen, se faz necessário usarmos ingredientes com ações tamponantes e alcalinizantes, como bicarbonato de sódio, óxido de magnésio, carbonato de cálcio, sais de algas marinhas, entre outros. Variando de 0,8 a 1,2% da ingestão de matéria seca para vacas em lactação.

Monensina Sódica

Dos principais aditivos presente na nutrição de vacas de leite a monensina sódica e outros ionóforos têm a capacidade de contribuir para a redução de incidência de acidose ruminal, e principalmente melhorar a eficiência de conversão alimentar em razão de um aumento na concentração de energia líquida da dieta.

 Com concentrações próximas de 300mg por vaca/dia, a monensina seletivamente afeta as bactérias gram-positivas o que reduz o crescimento de microrganismos produtores de ácido lático, minimizando o risco de acidose.

Acidose ruminal em bovinos de leite

Fezes com evidência de um quadro de acidose (Coloração acinzentada e presença de bolhas de ar)


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Sobre Pedro Carvalho

Pós Graduando em Nutrição de Bovinos de Leite, Graduado em Zootecnia. Trabalha como Coordenador de Sucesso do Cliente da Prodap, na Cadeia do Leite. Tem como foco transformar a pecuária no mundo, a começar pela história dos nossos clientes.

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