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Carrapato de boi em bovinos de leite: O que é, o que causa e como evitar?

A infestação do rebanho pelo carrapato do boi, ou carrapato de boi como normalmente esse parasita é conhecido, é uma das maiores preocupações que todo pecuarista tem. Entenda:
por Luiza Faria em 06/Jan/2020

A infestação do rebanho pelo carrapato do boi, ou carrapato de boi como normalmente esse parasita é conhecido, é uma das maiores preocupações que todo pecuarista tem.

Seu nome científico é Rhipicephalus (Boophilus) microplus e ele pode ser encontrado em propriedades de todo o Brasil, com maior prevalência na região Sudeste e Centro-Oeste.

Você sabia que a infestação por carrapato do boi pode trazer grandes prejuízos econômicos ao produtor?

Nesse texto você vai ver os danos causados ao animal pelo carrapato do boi, quais são os prejuízos e os métodos de tratamento!

carrapato de boi

Animal infestado pelo carrapato do boi

Fonte da imagem

Os danos causados aos animais infestados com carrapato

A infestação pelo carrapato do boi causa grandes danos aos animais, como por exemplo lesões na pele, que podem ser “porta de entrada” para infecções e miíases (bicheira), perda de peso, prostração, anemia, queda na produção do leite, e pode levar o animal a morte. 

A maioria das pessoas acha que o carrapato é maléfico só pelo o que ele tira do animal com a extração de sangue, mas na verdade esse é 'o menor' dos problemas. O carrapato, na hora da picada, pode transmitir muitas efermidades, quando contaminado. Um exemplo bem comum é a Tristeza Parasitária Bovina, um complexo de doenças que acomete os bovinos.

tristeza parasitaria bovina causada por carrapato de boi

Animal que veio a óbito devido Tristeza Parasitária Bovina.

Fonte da imagem

Prejuízos econômicos causados pelo carrapato do boi

Estima-se que o carrapato do boi gera um prejuízo em torno de 10 bilhões de reais por ano para a cadeia produtiva bovina do Brasil.

E desde pequenas propriedades até os maiores produtores de leite do país estão sujeitos a sofrerem com os seguintes prejuízos quando expostos ao parasita:

  • Redução da produção de leite;
  • Descarte do leite por presença de resíduos de produtos químicos usados no tratamento;
  • Gastos com o tratamento;
  • Redução da natalidade;
  • Morte dos animais infestados.

Como tratar e prevenir o carrapato de boi?

Existem dois métodos de controle do carrapato-do-boi, e a aplicabilidade desses métodos depende de alguns fatores. Esses são:

Controle estratégico:

Chamado também de “controle racional”, é aplicado com o objetivo de diminuir a população de carrapatos tanto nos animais quanto nas pastagens. Deve ser executado entre o final do período de seca e início do período chuvoso. Além de tratar, esse método previne futuras infestações.

Esse controle consiste em 5 a 6 banhos carrapaticidas nos animais com intervalo de 21 dias entre eles, ou conforme indicado na bula do produto.

Controle tático:

Esse método não segue um cronograma, e pode ser utilizado durante o controle estratégico. 

É indicado para aqueles animais visualmente infestados, animais de “sangue doce” (mais suscetíveis à carrapatos) e recém-adquiridos na propriedade, sendo que esses devem passar pelo controle tático antes de serem inseridos no rebanho.



Formas de aplicação dos carrapaticidas. Da esquerda para a direita: pour on (uso tópico direto sob o dorso do animal), cobertura total e aspersão.

[BÔNUS] 07 Dicas práticas de segurança e para deixar seu rebanho livre do carrapato do boi

  1. É indispensável o uso de equipamentos de proteção durante a aplicação dos carrapaticidas; 

  2. Aplicar os medicamentos com o animal contido, no sentido contrário dos pelos e com pressão adequada

  3. Evitar a aplicação dos carrapaticidas em dias de chuva e sob sol forte, a fim de evitar intoxicação nos animais;

  4. Separar os animais por lotes, respeitando o protocolo recomendado para as especificações de cada lote;

  5. Evitar que espécies diferentes pastejem na mesma área;

  6. Não iniciar o tratamento sem a prescrição e acompanhamento de um médico veterinário.

  7. É muito importante no controle estratégico que o intervalo entre os banhos seja fielmente respeitado, garantindo assim a eficácia do tratamento. Para isso, existem hoje no mercado softwares que criam calendários sanitários e planos de tratamento.

 

Sobre Luiza Faria

Graduanda em Medicina Veterinária pela PUC Minas, envolvida com a pecuária do leite desde 2017, focada em auxiliar os produtores a alcançarem melhores resultados na atividade. Atualmente estagiária da Cadeia do Leite da PRODAP, onde continua a desenvolver seu trabalho na pecuária leiteira.

 

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