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Cocho para gado de corte: Tudo que você precisa saber antes de fazer um

Muitas pessoas se perguntam qual é o melhor modelo de cocho a ser utilizado na bovinocultura de corte. Veja aqui as dimensões, materiais e como construir uma estratégia de consumo alinhada, entenda:
por Pedro Goulart em 27/Jan/2020

Muitas pessoas se perguntam qual é o melhor modelo de cocho a ser utilizado e para encontrarmos a resposta é preciso antes entender qual é a finalidade do cocho e quais regras ele tem que obedecer para ser funcional para o negócio.

Nesse texto você vai entender um pouco mais como adequar os cochos da sua fazenda à estratégia de consumo aplicada no gado de corte.

A função do cocho é oferecer produtos de nutrição em quantidade, qualidade e período adequados para todo o lote ou rebanho. A aplicação dessas características pode variar de acordo com a estratégia nutricional que está sendo realizada, porém, alguns pontos são comuns para todas as estratégias nutricionais.

Independentemente da estratégia planejada, devemos ficar atentos à alguns pontos:

Altura do Cocho

Observa-se uma maior conservação da qualidade do produto fornecido em cochos elevados do solo. As alturas podem variar de acordo com a categoria animal que constitui o lote em questão.

O importante é que todos os animais consigam alcançar confortavelmente o produto que lhes é oferecido, ao mesmo tempo que este não seja contaminado por barro, fezes, urina e/ou qualquer outro tipo de sujeira proveniente do ambiente externo ao cocho.

Em lotes de animais com a presença de bezerros, o cochos deve ficar a 50 cm de altura e deve-se colocar um uma proteção na parte superior para evitar o trânsito de animais sobre o mesmo. Nos pastos de animais de recria (animais em crescimento) o cocho deve ter entre 60 e 70 cm de altura e nas áreas de engorda (animais adultos) cerca de 1 m.

Acesso ao Cocho

Para que o produto oferecido seja consumido é imprescindível que os animais consigam alcançar o cocho sem nenhuma dificuldade. A ida e permanência ao cocho não deve ser associada a situações de risco e/ou desconforto pelo animal.

Para isso, devemos:

  • evitar alocar o cocho em locais que fiquem alagados e com formação de lama
  • observar se o animal pode encontrar dificuldades no solo para chegar ao cocho como presença de pedras ou outros materiais pontiagudos, por exemplo;
  • Manter uma distância de pelo menos 15 metros da cerca até o cocho em questão.

Este último se baseia no comportamento animal, onde a zona de fuga deve ser respeitada para proporcionar o bem-estar que o rebanho precisa.

A zona de fuga é uma região imaginária delimitada pelo animal com um raio de aproximadamente 2 metros, onde o bovino se sente seguro quando dentro da mesma.

Estrutura do Cocho

O espaço de cocho é imprescindível para a homogeneidade do consumo por parte do lote, permitindo que todos os animais tenham acesso ao produto.

Esse espaçamento pode variar de acordo com a estratégia nutricional, mas deve ser respeitado em todas elas.

Vamos ver como a estrutura do cocho deve ser em cada estratégia de consumo

Consumo auto regulado - Sais

Para produtos onde o consumo é auto-regulado, normalmente com consumo de até 500 gramas por cabeça dia (Exemplos: sais minerais, sais nitrogenados, sais proteinados, etc), o espaçamento pode variar de 5 a 15 cm por cabeça.

Consumo preestabelecido - Rações

Para produtos onde o consumo é pré-estabelecido em um valor fixo por cabeça por dia, normalmente com consumo acima de 500 gramas por cabeça por dia (Exemplos: rações), o espaçamento pode variar de 30 a 50 cm por cabeça.

Esses espaçamentos são uma relação entre o comportamento social e de consumo dos animais. Você provavelmente já sabe que em 5 ou 15 cm, e em 30 ou 50 cm obviamente não há espaço para um animal e é aí que o comportamento social atua.

É comum que o gado permaneça por certo tempo ao redor do cocho, proporcionando a chance de consumo para todos os animais.

Leia também > Gado confinado: 5 modelos de manejo de cocho para obter mais resultados

Porque se preocupar com estrutura do cocho e os problemas de um cocho mal estruturado

O cocho mal estruturado, dentre várias outras, pode ser a causa de um desvio de consumo. Desvios de consumo acarretam em lotes desuniformes, que não chegarão juntos ao ponto de abate.

Esse é o principal desvio no planejamento financeiro da fazenda. Abaixo, exemplo de desvio no planejamento financeiro:

exemplo desvio de consumo causado pela estrutura do cocho

Desvio no Consumo x Desvio Financeiro

Acima, temos o exemplo de um lote em terminação a pasto, no período de águas.

Supondo uma meta de ganho médio diário de 0,7 kg/cab/dia, que seria atingida quando alcançado o consumo objetivo da nutrição fornecida, os animais estariam prontos para o abate em fevereiro, com aproximadamente 18 arrobas de peso vivo.

Supondo que um dos lotes não atingiu o consumo objetivo da nutrição fornecida o que contribuiu para o não atingimento da meta de ganho médio diário, o realizado foi GMD de 0,4 kg/cab/dia.

Nesse cado, esse lote atingiria o peso de abate apenas em maio, permanecendo na fazenda por três meses a mais do que o lote que atingiu as metas de consumo e GMD.

Além de estarem agregando um custo maior à produção, o custo da arroba produzida também aumenta, devido a redução da eficiência de produção de arrobas no sistema.

Já escrevemos um texto sobre fatores que afetam o consumo do sal mineral com bovinos a pasto, lá você também vai encontrar um tópico ensinando como começar a identicar o desvio de consumo dos seus animais.

Madeira, borracha, pneu, plástico, concreto ou metal? Qual o melhor material para fazer o cocho?

Os materiais que podem ser utilizados para a confecção de cochos são os mais diversos possíveis. Madeira, borracha, pneus, barris de plástico, concreto, metal, entre outros...

Todos esses são excelentes materiais desde que as premissas apontadas sejam seguidas, o que precisamos avaliar é o benefício custo do material em questão.

Vamos observar como essa confecção pode interferir na sua produtividade:

Cocho de concreto e metal

Cochos de metal e concreto não são recomendados para formulações minerais por corroerem com a presença de sal mineral, podendo em casos mais graves, desbalancear a nutrição oferecida, já que o metal/concreto liberará componentes que serão ingeridos pelo gado.

E esse é um ponto de atenção porque a participação na nutrição no custo de produção animal, que pode variar de 30% a 60% do custeio.

Sendo assim, é extremamente importante que a nutrição seja bem manejada e conservada afinal representa boa parte dos custos dessa @produzida.

Cocho coberto

A cobertura dos cochos pode auxiliar bastante na conservação do produto oferecido. Mas será que vale a pena cobrir um cocho? 

Vamos fazer o cálculo matemático do benefício custo de um cocho coberto, tomando como exemplo um lote composto por 50 animais, que permanecerão à pasto por 6 meses durante o período de águas, consumindo um produto que custa aproximadamente R$0,30 por cabeça por dia.

Lote: 50 cabeças

Custo nutricional/cab/dia: R$0,30

Período: 6 meses (180 dias)

Custo nutricional/período = 50 (cab) x 0,30 (R$/cab/dia) x 180 (dias) = R$2.700,00

Aproximadamente R$2.700,00 em nutrição serão oferecidos a este lote por um período de 180 dias.

Se pensarmos que durante o período de águas teremos chuva em pelo menos 50% dos dias, R$1.350,00 serão desperdiçados caso o cocho esteja descoberto.

Como fazer o cocho coberto, nesse caso?

Como sugestão, podemos confeccionar a cobertura de cocho utilizando borracha de esteira de mineradora (fácil de encontrar no mercado), gastando  cerca de R$500,00 para um cocho de 2,5 metros de comprimento e acesso dos dois lados (suficiente para 50 cabeças consumindo nutrição mineral).

Se considerarmos uma arroba de boi gordo comercializada à R$185,00 e um custo de cobertura de cocho de R$10,00 por cabeça (R$500,00 para 50 cabeças), precisamos que, em 180 dias, um animal engorde 1,621 kg à mais para pagar o custo de cobertura do cocho.

Isso equivale à 0,009 kg (9 gramas a mais de GMD por dia, em 180 dias), um número que o bom manejo nutricional é capaz de possibilitar.

Sendo assim, no exemplo acima, para cada R$1,00 investidos em cobertura de cocho, conseguimos economizar R$2,70 em nutrição (R$1.350,00/R$500,00 = R$2,70).

Como conclusão, o melhor modelo de cocho é aquele que atende o nosso sistema de produção. Este modelo pode variar bastante, mas temos sempre que ter em mente a função do cocho e os pontos básicos para que ele cumpra essa função: Disponibilizar nutrição em qualidade e quantidades adequados a todo o lote, por um período adequado.

Sobre Pedro Goulart

Mineiro, 29 anos, zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa, consultor de sucesso do cliente na Prodap, atua na região sudeste e bahia, apaixonado por planejamento estratégico e gestão em pecuária.

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