Como reduzir os custos de produção de leite nas propriedades leiteiras?

Um dos maiores desafios nas fazendas leiteiras é o controle do custo de produção do leite. Saiba por onde começar a reduzir estes custos, o que o compõe e muito mais!
por Thais Camargos em 24/Nov/2020

Entender a necessidade da gestão econômica, o que compõe o custo da produção do leite e como cortar gastos na sua propriedade é fundamental para garantir a sustentabilidade na fazenda. Neste texto você verá isto e muito mais, entendendo como reduzir os custos de produção de leite! 

Gestão econômica na rotina das fazendas

Apenas realizando a gestão econômica da sua fazenda você saberá se está ganhando bem. É muito importante alinhar os indicadores zootécnicos e os econômicos. 

Em muitas situações o “ótimo econômico” e o “ótimo produtivo” nem sempre caminham juntos, você deve buscar o ponto de equilíbrio entre eles.

Por onde começar?

A coleta de informações é o primeiro passo. Anote e classifique cada receita e cada despesa que estão diretamente relacionadas à produção. Você pode considerar a data da venda ou da compra. 

Para quem está começando a fazer esse tipo de controle, as anotações podem ser feitas em fichas impressas, livro caixa, planilhas no computador ou em softwares de gestão, como o Prodap smartmilk.

Gestão financeira Smartmilk

Após uma coleta de dados bem-feita, você pode analisar e interpretar os dados, assim como também pode iniciar um planejamento econômico para sua propriedade.

Diferença entre fluxo de caixa e custo de produção

Antes de falar sobre a redução dos custos, precisamos reforçar dois conceitos, o de fluxo de caixa e o de custo de produção.

Fluxo de caixa: são as entradas e saídas (receitas e despesas) de recursos e produtos da fazenda, ou seja: tudo o que gera desembolso ou que é uma entrada. O fluxo de caixa diz muito sobre a saúde financeira da fazenda. Normalmente é avaliado mensalmente. 

Custo de produção: é a soma dos valores de todos os recursos e operações utilizados no processo produtivo. O ideal é fazer análises em períodos mais prolongados (anualmente, por exemplo) para evitar efeitos de sazonalidade. O custo de produção retrata uma realidade passada, mas que é fundamental para planejar o futuro. 

Vamos usar de exemplo o plantio de culturas anuais. No fluxo de caixa, serão contabilizadas as despesas do plantio, dos tratos culturais, entre outros, conforme o pagamento das despesas. Já no custo de produção será contabilizado o custo conforme o consumo do volumoso. 

Três pilares fundamentais para a lucratividade de fazendas de leite

  1. Preço do leite
  2. Custo de produção
  3. Escala de produção

O preço é determinado por variáveis “da porteira para fora”. Ou seja, o produtor tem pouca influência sobre o preço. Já o custo e a escala de produção podem ser controlados “da porteira para dentro”. 

A maioria das variáveis que influencia esses dois pontos estão na mão do produtor e podem ser otimizadas. O custo do leite tem uma interferência muito maior do que o preço do leite sobre o resultado da atividade.

O “custo do leite” sozinho não nos diz muita coisa. Precisamos identificar todos os componentes que interferem no valor final e aí sim é possível tomar decisões mais estratégicas.

Composição dos custos

Novamente precisamos estabelecer as definições de alguns conceitos:

Custo de produção: soma dos recursos e das operações utilizados no processo produtivo. Nessa conta entram também insumos e serviços. Eles se dividem entre custos variáveis e fixos.

Custos variáveis: são os itens de custeio, utilizados dentro de um mesmo ciclo produtivo. O produtor tem controle sobre eles e pode aumentar ou diminuí-los no curto prazo. Uma característica importante deles é que variam de acordo com a escala de produção. 

Imagine a seguinte situação: você possuía ano passado 70 vacas em lactação e gastava aproximadamente R$ 2.000,00 todo mês com medicamentos. Neste ano, seu rebanho aumentou para 100 vacas em lactação. Provavelmente o seu gasto com medicamentos também aumentou, certo? 

Podemos citar como exemplos de custos variáveis: energia elétrica, concentrado e medicamentos. 

Custos fixos: ao contrário dos custos variáveis, estes não se alteram facilmente no curto prazo e nem se limitam a um único ciclo produtivo. Estes custos existem mesmo que o recurso não esteja sendo utilizado e não estão sob o controle do produtor.

Sabe aquele barracão abandonado na fazenda? Pois é, ele representa um custo para a atividade leiteira mesmo que não esteja sendo usado nos últimos anos. 

Além disso, os custos fixos permanecem inalterados por um curto prazo e não dependem do nível de produção. 

Exemplos: depreciação e mão de obra familiar.

Os custos podem ser desdobrados em:

Custo operacional efetivo (COE): engloba todos os custos variáveis. Como corresponde aos desembolsos, normalmente é aí que o produtor de leite “vê o dinheiro saindo”. 

Custo operacional total (COT): compreende todos os custos variáveis (COE) mais as depreciações e mão-de-obra familiar.

Custo total (CT): é o COT acrescido do custo de oportunidade do capital investido.

Preciso cortar os custos, e agora?

Muita gente acredita que eficiência e eficácia são a mesma coisa. Eficácia nada mais é do que atingir o resultado desejado. Eficiência tem a ver com a melhor utilização dos recursos para atingir o resultado desejado. 

Você pode ser um produtor de leite eficaz sem ser eficiente e vice-versa. E o importante é produzir com eficiência!

Para melhorar eficiência na atividade leiteira, precisamos aumentar a produtividade. Muitos produtores de leite, em determinado momento, sentem a necessidade de cortar custos. 

Alguns optam por cortar a assistência técnica, trocam sal mineral por sal branco, reduzem a quantidade de concentrado oferecida sem nenhum embasamento técnico, entre outros. 

São cortes ineficazes por várias razões. A assistência técnica, por exemplo, normalmente representa R$ 0,01 no custo do leite e pode trazer inúmeros benefícios para o produtor. 

Essas medidas desesperadas dão a falsa sensação de que as contas vão se equilibrar no final do mês e que vai sobrar um dinheirinho no caixa. No curto prazo pode ser que o produtor realmente sinta uma diferença, mas pensando em longo prazo, podem complicar ainda mais a situação do produtor. 

Muito cuidado! Quando falamos em “cortar custos”, devemos ter muita cautela e saber exatamente o que precisamos priorizar. 

Identificar oportunidades e saber priorizar!

Quando a margem bruta da atividade está negativa, devemos priorizar alguns itens, como concentrado, mão de obra e volumosos. Juntos, estes três itens são os que mais impactam nos custos variáveis e, consequentemente, no fluxo de caixa. Somados, podem representar até 70% do custo de produção total. 

Custo da produção de leite

Os itens volumosos e concentrados são os menos complicados de se trabalhar e estão ligados à flexibilidade do sistema de produção. Um produtor que é mais flexível e se adapta melhor tem, com certeza, maiores chances de permanecer na atividade.

Para ajustar o fluxo de caixa, devemos realizar ações sobre receitas e despesas, principalmente as despesas diretas. As receitas devem ser suficientes para, pelo menos, cobrir as despesas no curto prazo. 

Na pecuária leiteira, a escala de produção é fundamental, principalmente para diluir os custos fixos, mas nem sempre aumentar a escala é uma saída para a crise. Imagine um produtor trabalhando com uma margem bruta negativa e com muitos custos altos e desnecessários. Se ele apenas aumentar a escala e manter os mesmos custos, ele só vai piorar a situação. 

Nem sempre gastar pouco é melhor. Gastar mais também não adianta. Então o importante é ter equilíbrio nos custos. 

Estratégias para equilíbrio de gastos com concentrados

Os tópicos abaixo podem te guiar na hora de avaliar os seus gastos com concentrados.

  • Genética: vacas de maior produção tendem a ser mais eficientes, diluindo o custo do concentrado por litro de leite.

  • Qualidade do volumoso: quanto melhor for o volumoso produzido na fazenda, menor a necessidade de utilização de concentrado. 

  • Utilização de subprodutos: converse com seu nutricionista sobre o assunto, existem muitos subprodutos de qualidade que podem ser incluídos na dieta.

  • Utilização de concentrados de maneira racional: dessa forma, as exigências dos animais são atendidas e não há desperdícios.

  • Controle leiteiro: com a produção individual em mãos fica mais fácil para seu nutricionista separar os lotes e formular dietas adequadas para cada um.

  • Compras estratégicas de insumos: as compras realizadas em um momento mais viável são, sem dúvida, uma ajuda muito grande para reduzir os custos com a alimentação

Volumosos: como priorizar quantidade e qualidade?

O volumoso é fundamental na dieta dos ruminantes, mas nem sempre está em quantidade e qualidade suficiente. 

Os volumosos estão entre os itens que mais interferem nos custos de produção do leite. Especialistas afirmam que os gastos com volumosos não devem ultrapassar 10% da receita. Alguns produtores conseguem flexibilizar e ajustar os custos de acordo com a receita.

De maneira geral, a produtividade dos volumosos está intimamente relacionada com a produtividade da terra.

Eficiência da mão de obra

Os custos com mão de obra não devem ultrapassar 15% da receita total. Fazendas eficientes comprometem até 10% em gastos com mão de obra contratada. 

Um bom indicador para produtividade de mão de obra é litros/dia/pessoa e um bom valor de referência é 400-500 litros/dia/pessoa. 

Suponhamos que uma fazenda produza 2.000 litros/dia. Tendo em vista os valores acima, o ideal é que a fazenda tenha de 4 a 5 colaboradores envolvidos na atividade leiteira.

Para obter mais eficiência de mão de obra, precisamos também de um bom líder que mantenha um bom relacionamento com a equipe, que cultive respeito mútuo e que ofereça treinamento e capacitação aos colaboradores.

A produtividade das vacas em lactação também compromete a eficiência da mão de obra. Estudos indicam que em rebanhos com média inferior a 15 litros/vaca o indicador que mais interfere é a produtividade. 

Então a produtividade das vacas em lactação é um ponto de atenção para quem deseja reduzir os custos da atividade.

Onde mais podemos agir?

Seguindo modelos de referência, energia e combustível devem comprometer no máximo 5% do COE e medicamentos, também devem comprometer no máximo 5%.

Devemos também combater desperdícios e eliminar tudo o que não gera valor para a atividade.

Alimentos e insumos armazenados de maneira incorreta também podem contribuir muito com o desperdício, por exemplo, uma certa quantidade de polpa cítrica que mofou por falhas na armazenagem do produto. Nesse caso, o produtor teve um gasto para comprar o produto e não conseguiu utilizá-lo, sendo que o desperdício poderia ter sido evitado. 

Esse raciocínio vale também para a armazenagem de medicamentos, vacinas, produtos de limpeza para ordenha entre outros. Na foto abaixo, as vacinas estavam armazenadas em uma geladeira desligada.

Geladeira vacinas

Talvez a dica mais valiosa para quem quer reduzir custos seja: tenha na ponta do lápis todas as contas da sua fazenda. 

“O que não pode ser medido, não pode ser gerenciado” (William E. Deming).

Sem anotações e apontamentos, é impossível se orientar na hora de reduzir os custos.

Tenha em mãos um sistema confiável para te ajudar a controlar suas receitas e despesas e para te auxiliar na tomada de decisões. 

O Prodap Smartmilk é o Software de gestão da pecuária leiteira que ajuda o produtor a tomar decisões baseadas em dados concretos e que mostra os resultados de maneira simples, integrando os dados zootécnicos do programa com os econômicos. 

Agende uma conversa com um dos nossos consultores e saiba como o Smartmilk pode te ajudar!

Sobre Thais Camargos

Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente trabalha como Consultora de Sucesso do Cliente na Cadeia do Leite. Acredita na digitalização como uma maneira de transformar muitas histórias pelo Brasil. 

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