Parasitas em bovinos: Como fazer o controle estratégico parasitário do rebanho leiteiro

No Brasil, o sistema de produção está se tornando cada vez mais intensivo e com isso, a proliferação de parasitas tem sido favorecida. Saiba como fazer o controle e combate destes inimigos!
por Aline Bernardes em 22/Dec/2020

Durante o ciclo biológico dos parasitas, há fases em que eles se encontram vulneráveis. O controle estratégico é baseado justamente neste ponto fraco do nosso inimigo. 

Este momento de vulnerabilidade é chamado de brecha ecológica. Neste texto você verá como usar o ciclo biológico dos parasitas ao seu favor e combatê-los de forma eficiente! 

pulverização contra carrapato do boi

Veja também: Como as doenças reprodutivas em gado de leite Impactam nos Resultados?

Os 3 pilares para o combate dos parasitas

Os pontos principais para controlar os parasitas podem ser divididos em 3 pilares, que devem ser realizados juntos para garantir o sucesso da estratégia.

1- Conheça o ponto fraco do inimigo:

Neste ponto, a pergunta a ser respondida é “Quando tratar?”

Conhecer as brechas ecológicas é a chave para o combate do parasita. Elas podem estar relacionadas a diversos fatores, por exemplo, a época do ano, o clima e a umidade. 

Em algumas estações, a multiplicação dos parasitas é favorecida. Em outras, eles se encontram em números reduzidos e em condições desafiadoras ao seu ciclo.

2- Conheça o melhor recurso de combate

“Qual produto utilizar?”

O mercado dispõe de centenas de produtos parasiticidas. Conhecê-los é fundamental para fazer a escolha correta na eliminação destes parasitas

3- Bom manejo do protocolo de controle

“Como tratar?

Este é um ponto muito importante para se atentar, pois caso o produto não seja manejado corretamente, garantindo a diluição indicada e que a mistura esteja homogênea, o tratamento será prejudicado.

 As orientações indicadas na bula devem ser seguidas com o máximo de atenção.

Sabendo disso, vamos aplicar essas estratégias no controle dos parasitas mais comuns no rebanho leiteiro!

Controle estratégico de carrapato em bovinos

Este é um dos maiores causadores de prejuízo para a cadeia leiteira dentre os parasitas. Trabalhos recentes mostram que os prejuízos financeiros causados pelos carrapatos estão em torno de 2 bilhões de dólares ao ano. 

Este prejuízo é devido ao hábito de se alimentar do sangue dos animais, além de transmitir diversas doenças, como a babesia. 

carrapato de boi

Quando tratar?

Durante seu ciclo de vida, o carrapato passa por duas fases: a fase parasitária e a fase em que fica no ambiente.

Em um pasto, 5% dos carrapatos, em média, estão nos animais, enquanto 95% estão no ambiente. 

Então devemos fazer o tratamento com carrapaticida na pastagem?

NÃO! O tratamento nos animais é muito mais eficiente! 

O que se deve atentar é quanto à realização dos tratamentos na melhor época. A temperatura, umidade e precipitação são os componentes chave que interferem na multiplicação dos carrapatos.

O tratamento deve ser realizado entre o final do período de seca e início do período chuvoso, considerando as particularidades de cada local.

Qual produto utilizar?

Há dois grandes grupos de carrapaticida.

Permitidos para vacas em lactação: (Observar período de restrição para o leite)

  • Fosforados
  • Amidinas
  • Piretroides 

Não permitido para vacas em lactação: (Período de carência longo, pois tem grande resíduo no leite)

  • Fenilpirazoles
  • Avermectinas (exceções)
  • Mylbemicinas
  • Fluazuron 

Para saber qual o mais adequado a se usar, o indicado é que se faça o teste de sensibilidade, enviando uma amostra do carrapato da fazenda para um laboratório. 

Manejo do carrapaticida

Para garantir o sucesso do tratamento, é importante que se faça o uso do carrapaticida da forma indicada pelo fabricante na bula.

Normalmente, são realizados de 5 a 6 banhos nos animais com intervalo de 21 dias entre eles.

É necessário, também, o uso do equipamento adequado, a dose correta e uma boa homogeneização do produto ao longo do corpo do animal

Além disso, o teste de sensibilidade deve ser renovado a cada ano para assegurar que o produto utilizado faça efeito.

Saiba mais: Carrapato de boi em bovinos de leite: O que é, o que causa e como evitar?

Mosca do chifre (Haematobia irritans)

mosca do chifre

Uma característica que difere esta mosca do mosquito comum é que tanto o macho quanto a fêmea se alimentam de sangue. Eles chegam a picar seu hospedeiro mais de 30 vezes ao dia.

O prejuízo causado pela mosca-dos-chifres é devido ao incômodo e irritação causados nos animais pelas picadas dolorosas. 

As consequências desse desconforto é a diminuição do tempo gasto para repouso, alimentação e ingestão de água, levando a casos de redução na produção de leite, diminuição de peso e problemas reprodutivos.

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ingestão de agua por bovinos de leite

Quando tratar

Há dois picos de infestação de mosca do chifre no país: um no começo e outro no fim do período de chuvas, sendo estes os melhores momentos para o planejamento do controle da mosca.

Além disso, em todo rebanho há cerca de 20% de animais que têm maior propensão de carrear parasitas. O produtor deve estar sempre de olho nesses animais, pois isso irá concentrar os gastos e auxiliará no controle da população de moscas.

Como tratar

Atualmente, o mercado nacional de produtos para controle da mosca-dos-chifres possui mais de 100 produtos registrados.

Normalmente, a base química usada para o tratamento da mosca do chifre é a mesma utilizada no tratamento dos carrapatos. Porém, com doses diferentes. 

Isso se torna um ponto de ponto de atenção quando pensamos na resistência adquirida, que irá afetar a funcionalidade do tratamento posteriormente. 

A estratégia mais eficiente para evitar a mosca do chifre atualmente são os brincos, pois ele libera constantemente um inseticida que manterá os parasitas afastados. 

Manejo adequado do tratamento

Um ponto importante a se atentar é quanto a retirada do brinco. 

Ao final da época das águas, quando diminui a população de moscas, o brinco deve ser retirado. Caso a substância química do brinco continue sendo liberada, pode acarretar na resistência da população remanescente. 

Atém deve ser evitado o acúmulo de lixo, lama e esterco nos locais onde ficam os animais, pois isso serve de atrativo para as moscas.

Berne (Dermatobia hominis)

Uma característica interessante deste parasita é que ele não deposita as larvas diretamente sobre o bovino. Ele captura moscas de outras espécies que tenham acesso à vaca e enche o abdômen desta mosca com seus ovos. 

Quanto a mosca capturada pousa sobre o bovino, a larva inicia sua fase parasitária.

Esta estratégia faz com que o tratamento do Berne seja um dos mais difíceis dentre os ectoparasitas, pois a mosca Dermatobia hominis não se aproxima dos animais hospedeiros.

vaca com berne

Quando tratar

O berne tem forte relação com as temperaturas mais altas e com a chuva. 

Nos períodos de chuva o problema é maior. É indicado que o tratamento seja realizado a partir do pico da primavera, por um período de 90 dias.

Qual produto utilizar

Hoje, os medicamentos utilizados no controle são: os organofosforados (DDVP e Clorpirifós), os piretróides (Cipermetrina) associados aos organofosforados, as avermectinas (endectocidas injetáveis) e fluazuron + abamectina.

A forma de aplicação e o intervalo entre tratamentos deve ser seguida de acordo com a recomendação da bula.

Como tratar

O controle pode ser obtido com o tratamento frequente por meio de pulverizações, banhos ou preparações pour-on.

Os banhos higiênicos devem ser regulares para garantir que os animais estejam sempre saudáveis e livres da presença das larvas.

Nematóides gastrintestinais

No tubo digestivo dos animais, os vermes acasalam e pelo peristaltismo intestinal os ovos saem no bolo de fezes. 

Com a umidade, esses ovos se desenvolvem e as larvas eclodem. Com o pastejo do animal, ele tem acesso novamente a estas larvas.

vaca doente

Quando tratar

A brecha ecológica neste caso é a diminuição das chuvas, pois a larva utiliza a umidade para se locomover do bolo fecal até o hospedeiro. 

Devem ser feitas 3 aplicações de vermífugos durante o início, o meio e o fim da época seca do ano.

Qual produto utilizar 

Há 3 produtos anti-helmínticos no mercado que podem ser usados de acordo com a situação. 

Os Tetrahidropirimidinas (Levamisol/Tetramisol) são eficazes para helmintos pulmonares. São usados, também, como potencializadores da vacina de aftosa. Porém, não atuam com grande eficiência em larvas que entraram no animal recentemente, presentes na mucosa. 

O grupo dos Benzimidazois (Albendazol / Fenbendazol / Oxifendazol) é um grupo mais moderno e tem maior eficácia nas larvas recém adquiridas pelo animal. 

Já o grupo das Lactonas macrocíclicas (Abamectina / Ivermectina / Doramectina / Moxidectin) é composto por dois subgrupos, sendo que a Moxidectina não tem ação sobre os besouros.

Como tratar 

Para garantir o sucesso do tratamento é indicado que se faça de 3 a 4 aplicações do tratamento na época seca. É recomendado que as bezerras e novilhas recebam as 4 aplicações, pois ainda estão desenvolvendo sua imunidade. 

Para vacas adultas, o tratamento é indicado principalmente para vacas no terço final de gestação e para vacas que passaram por um processo infeccioso recentemente.

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Sobre Aline Bernardes

Graduanda em Medicina Veterinária na Universidade Federal de Minas Gerais. Atua como estagiária na geração de conteúdo da cadeia do leite. Acredita que a tecnologia e o conhecimento são fatores-chave para transformar a pecuária no mundo.

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