Mastite clínica: o que é, causas, como tratar e principais indicadores

Os prejuízos causados pela mastite são inúmeros. Saiba o que é a mastite clínica, o que causa, como tratar e os principais indicadores a serem monitorados.
por Aline Bernardes em 09/Dec/2020

A mastite é considerada uma das doenças que mais causa prejuízo para toda a cadeira leiteira.

Esta perda é devido ao custo do descarte de leite com alteração ou resíduo de antibióticos, reposição de animais descartados, gastos com medicamentos e serviços veterinários, redução na produção, entre outras razões.

Para o controle e prevenção desta doença, é importante que você saiba quais são as causas, os fatores de risco e indicadores a serem monitorados na fazenda.

O que é mastite?

A mastite é um processo de inflamação na glândula mamaria causada principalmente por bactérias que invadem o canal do teto. Essa inflamação pode se manifestar de duas formas, sendo: mastite subclínica ou clínica.

tipos de mastite

A mastite subclínica é caracterizada por alterações imperceptíveis no leite e na vaca, sendo necessários teste auxiliares (CMT e CCS) para o diagnóstico.

Já a mastite clínica gera alterações visíveis no leite, como grumos, coágulos e alteração de cor. Além disso, pode provocar inchaço e vermelhidão nos tetos.

A mastite clínica é classificada em 3 escores de acordo com a sua gravidade, podendo ser:

  • Nível 1: Só apresenta alterações no leite
  • Nível 2: Modificações no leite e no teto
  • Nível 3: Alterações sistêmicas na vaca, como febre e falta de apetite

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Teste da caneca de fundo preto

O diagnóstico é feito a partir do teste da caneca de fundo preto, que deve ser realizado antes de toda ordenha e com todas as vacas.

Este teste consiste em retirar os 3 primeiros jatos de cada teto dentro de um recipiente e observar, cuidadosamente, se há alguma alteração no leite, como grumos, pus, presença de sangue ou coloração alterada.

Teste da caneca de fundo preto mastite

O que causa a mastite clínica?

 A diversidade das causas de mastite já passa de 130 diferentes microrganismos. Por isso, para uma boa estratégia de tratamento e controle, a causa exata deve estar bem clara. Esta identificação é feita por meio de análises microbiológicas.

Os resultados que podem ser apresentados nesta análise microbiológica são classificados em dois grandes grupos, baseados na origem da bactéria e no modo de transmissão, sendo estes: agentes causadores de mastite contagiosa ou agentes causadores de mastite ambiental.

Mastite contagiosa

A mastite contagiosa é causada por microrganismos comuns no corpo do animal e a transmissão ocorre de uma vaca doente para as vacas saudáveis do rebanho.

É muito comum que a transmissão destas bactérias aconteça durante a ordenha, devido acontaminação dos utensílios utilizados ou das mãos dos ordenhadores.

Os principais agentes causadores deste tipo de mastite são os Streptococcus agalatiae, Staphylococcus aureus e Corynebacterium bovis.

Mastite ambiental

Neste caso, a bactéria está no ambiente frequentado pelas vacas, como o lugar onde dormem, deitam ou onde acontece a ordenha.

Os principais agentes causadores da mastite ambiental são divididos em dois grupos principais: os Streptococcus ambientais (Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus uberis) e os coliformes (Escherichia coli, Klebsiella sp. e Enterobacter sp).

Mastite clinica

Neste gráfico, no qual foram avaliadas 24.481 fazendas com casos de mastite clínica, nós conseguimos avaliar a incidência (em porcentagem) dos diferentes agentes causadores.

Dentre os gram-positivos, que estão representados em azul, é possível inferir que os maiores causadores de mastite são Streptococcus agalatiae/ dysgalactiae (22%) e os Staphylococcus não-aureus (16%).

Já entre os gram-negativos, representados em vermelho, o maior número de casos é causado por Escherichia coli (13%).

Quais são os fatores de risco da mastite clínica?

Os fatores de risco são condições e situações que elevam as chances de casos de mastite na fazenda. Estes fatores podem estar ligados a três fontes: rebanho, vaca ou úbere.

Fatores de risco mastite

Fatores relacionados ao rebanho:

Os cuidados com a higiene, tanto das vacas quanto do ambiente, o conforto dos locais onde elas ficam e as instalações adequadas ao número de animais são situações que, se não forem pensadas e desempenhadas com muita cautela, a exposição dos tetos das vacas aos agentes causadores de mastite será muito grande.

A nutrição é também um fator importante, pois está diretamente relacionada com a capacidade de resposta imune da vaca.

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Em relação ao clima, os períodos mais quentes e úmidos são mais desafiadores quanto a ocorrência de mastite quando comparados ao clima frio e seco.

Quanto ao perfil de agentes causadores, deve-se observar se na fazenda há predominância de mastite ambiental ou contagiosa para que os devidos cuidados sejam tomados. 

Fatores relacionados à vaca:

O nível de produção é um fator de risco importante, pois as vacas com maior produção têm maior desafio metabólico e tempo de ordenha, aumentando as chances de mastite.

Além disso, o número e estágio de lactação também são fatores que aumentam os riscos da doença, visto que vacas que estejam no estágio inicial de lactação têm um grande desafio no que se refere ao metabolismo e imunidade.

Outro fator é a conformação de úberes e tetos, pois pode aumentar a dificuldade na ordenha. É, inclusive, uma característica importante na seleção genética do gado leiteiro, ultimamente.

Veja também: Como secar uma vaca de forma segura em 7 passos simples!

Fatores relacionados ao úbere:

Vacas que apresentam tetos com problemas de hiperqueratose, geralmente causados por mau funcionamento da ordenha, têm maior risco de desenvolver mastite. A chance de ocorrência da doença é aumentada de 20 a 30% quando comparados à uma vaca com boa saúde do úbere.

Como tratar a mastite

Após a realização do teste da caneca de fundo preto para diagnóstico da doença e classificação do grau da mastite (se é leve, moderada ou grave), o tratamento deve ser imediato para uma maior chance de cura.

Protocolo de tratamento de mastite

O protocolo exato do tratamento de mastite deve ser elaborado e orientado por um médico veterinário.

O uso inadequado de medicamentos pode selecionar microrganismos resistentes, dificultando a resposta a futuros tratamentos.

Indicadores de mastite clínica

Após o diagnóstico e a identificação da causa da mastite clínica no seu rebanho, é importante que sejam feitas as análises dos resultados para compreender a situação da fazenda e monitorar a eficiência dos procedimentos realizados para o controle.

Na tabela abaixo são exibidos os principais indicadores, como calcular e a meta esperada para considerar que o rebanho está saudável.

Indicadores de mastite clinica

Um dos principais indicadores é a taxa de incidência da mastite clínica. Esta análise é importante para quantificar quantas vacas no mês ou no ano tiveram a mastite clínica dentro da propriedade para constatar se a doença está controlada ou não.

É importante, também, conhecer a porcentagem de casos clínicos recorrentes. A vaca que já teve mastite clínica anteriormente é um ponto de atenção, pois a chance de tratamento eficaz neste caso é menor. De maneira prática, é estabelecido como casos novos de mastite aqueles que ocorrem em intervalo de 14 a 21 dias, entre uma infecção e outra.

Um outro indicador importante é a análise de mastite por quartos mamários. Deve-se conhecer a quantidade de casos de inflamação naquele quarto e o número de repetições, pois isso pode reduzir consideravelmente a produção de leite.

Para que o controle da mastite clínica seja feito com precisão e de forma assertiva, reduzindo todos os prejuízos causados por esta inflamação, é muito importante ter uma gestão eficiente dos dados da saúde do rebanho.

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Sobre Aline Bernardes

Graduanda em Medicina Veterinária na Universidade Federal de Minas Gerais. Atua como estagiária na geração de conteúdo da cadeia do leite. Acredita que a tecnologia e o conhecimento são fatores-chave para transformar a pecuária no mundo.

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