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Período seco em vacas leiteiras: por que ele é tão importante?

Sessenta dias antes da data de parto prevista, a vaca em lactação deve passar pela secagem, a partir daí começa o período de vaca seca. Veja por que ela é importante e como fazer corretamente:
por Thais Camargos em 17/Feb/2020

Sessenta dias antes da data de parto prevista, a vaca em lactação deve passar pela secagem. A partir daí ela não é mais ordenhada e cessam os estímulos para a descida do leite até o momento do parto, esse é o famoso período seco da vaca!

Para entender o momento certo da previsão de parto é extremamente importante poder confiar nos dados disponíveis na propriedade para se fazer este cálculo.

Quando a fazenda mantém um registro consistente de informações sobre a vida reprodutiva do animal, torna-se mais fácil determinar o momento exato da secagem, respeitando um período que, além de importante, é fisiológico.

Mas, afinal, qual a importância do período seco? Para entender isso você precisa conhecer um pouco mais sobre as mudanças no organismo da vaca nesta época...

O que é o período de vaca seca?

O período seco da vaca é uma fase de preparação para a próxima lactação, ele normalmente tem início nos 60 dias anteriores ao parto, no 7º mês de gestação.

Durante estes dois meses que faltam até o próximo parto, acontece a regeneração das células da glândula mamária.

O que acontece com vaca leiteira durante o período seco?

É neste período que há aumento abrupto na demanda por nutrientes, pois é quando ocorrem dois terços do crescimento fetal. A interrupção da lactação permite que estes nutrientes sejam mobilizados para o feto. 

Por isso, o período seco é muito importante tanto para a vaca quanto para a cria.

Classificações do período seco

O período seco pode ser classificado em três fases:

Período de involução ativa:

Esta fase tem início após a última ordenha e dura cerca de trinta dias. Após a secagem, o úbere retém cerca de 80% do volume de produção diária. Como a retirada do leite é interrompida, observa-se um aumento da pressão intramamária, provocando a degradação das células da glândula mamária e a dilatação do canal do teto.

Das três fases, esta é a que mais representa risco para novas infecções intramamárias, sendo que as duas primeiras semanas são críticas.

Período de involução constante:

Não apresenta limites claros, variando de acordo com a duração do período seco. Além disso, corresponde ao estágio onde a glândula mamária encontra-se completamente involuída. 

Durante esta fase, observam-se as menores taxas de novas infecções intramamárias, pois a glândula involuída é mais resistente e forma-se um tampão de queratina na entrada do teto, obstruindo a passagem de potenciais microrganismos.

Período de lactogênese/ colostrogênese: 

A última fase é regida pela ação dos hormônios no final da gestação.

Diferentemente do período de involução ativa, esta fase é marcada pela intensa atividade celular: ocorre regeneração e diferenciação das células epiteliais que secretam o leite e o acúmulo de imunoglobulinas e células de defesa que compõem o colostro.

É nesta etapa que há aumento da concentração dos principais componentes do leite, como por exemplo gordura, caseína e lactose.

Nos dias que antecedem o parto, há uma queda nas defesas imunológicas da vaca e, por isso, esta fase também representa risco para o estabelecimento de infecções intramamárias, principalmente as causadas por microrganismos ambientais. 

Hora da vaca seca: Cuidados pré secagem

Ao chegar no período seco, a vaca deve reunir boas condições nutricionais e um bom status sanitário.

A falta de cuidados neste período pode ocasionar queda no potencial produtivo, interferência na atividade reprodutiva, aumento do intervalo entre partos, nascimento de bezerros menores e problemas sanitários como metrite, retenção de placenta e mastite.

Isso sem falar nos impactos negativos sobre o potencial produtivo das lactações futuras. Alguns pesquisadores relacionam a duração do período seco com a produção das vacas a longo prazo.

Cuidados pós secagem

Após a secagem, as vacas devem ser alojadas em um ambiente seguro e confortável. Sombra, disponibilidade de forragem, alimento, água, densidade animal e espaço de cocho adequado são itens indispensáveis no ambiente da maternidade. 

E, por falar nisso, já temos um material super completo sobre como a água é fundamental para o desempenho dos bovinos de leite.

Além disso, as vacas devem ficar em um local acessível, para facilitar a visualização dos animais e uma intervenção, caso seja necessária. 

Mastite no período seco: 

Como dito acima, o risco de novas infecções intramamárias aumenta nestes 60 dias, podendo haver maiores taxas de novas infecções no período seco do que durante a lactação. Essas novas infecções são um dos grandes motivos que influenciam a ocorrência de mastite clínica no início da lactação.

Em resumo, os principais fatores que facilitam a instalação de novas infecções nesta fase são:

  • Aumento da pressão interna do úbere pelo grande volume de leite acumulado;
  • Maior facilidade para a penetração de microrganismos, devido à dilatação do canal do teto causada pelo acúmulo de leite;
  • Interrupção das ordenhas, fazendo com o que o leite retido se torne um excelente substrato para o crescimento de bactérias;
  • Direcionamento das células de defesa para outras funções;
  • Interrupção da rotina de desinfecção na ordenha e consequente proliferação de bactérias na pele do teto.

Portanto, recomenda-se que o controle da mastite seja feito também nesta época. Durante estes 60 dias, é mais comum que as infecções sejam de origem ambiental, sendo que o risco é maior quando o ambiente reúne condições inadequadas como altas temperaturas, umidade e acúmulo de matéria orgânica.

As estratégias de controle são baseadas na redução da exposição aos agentes patogênicos com ações direcionadas à melhoria do ambiente e também na redução de quartos mamários infectados no ato da secagem.

Ao final da lactação, as vacas devem ser submetidas à terapia de vaca seca e monitoradas pelo menos nas duas semanas críticas após a secagem. 

Basicamente, os dois objetivos principais da terapia de vaca seca são tratar infecções existentes, adquiridas durante a lactação e prevenir novas infecções. 

Depois de tanta coisa que foi dita sobre o assunto, fica a dica: o período seco é fundamental para se obter uma boa produtividade da vaca na próxima lactação e para assegurar que não faltem nutrientes para o bezerro no período onde a demanda é mais alta.

Sobre Thais Camargos

Médica Veterinária formada pela UFMG, atualmente trabalha como Consultora Comercial do PRODAP Smartmilk. Acredita na digitalização da cadeia do leite como uma maneira de transformar muitas histórias pelo Brasil. 

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