Rotina do Confinamento: Agora a pecuária tem como gerenciá-la!

Os bovinos são animais muito metódicos em relação à rotina. Veja os fatores envolvidos na rotina de um confinamento, como medir, monitorar e gerenciar.
por Walter Patrizi em 09/Apr/2021

Independente do sistema produtivo, os bovinos buscam estabelecer uma rotina. Em grande parte, isso se deve as suas características fisiológicas e de sobrevivência desenvolvidos desde seus ancestrais.

Vivendo em pastagens naturais, esses animais passavam longas horas do dia para conseguir ingerir grandes quantidade de forragens que necessitavam e também gastavam longas horas para ruminar, descansar e se abrigar de seus predadores.

Quando inseridos em condições de pastagens e manejo extensivo, os bovinos desfrutam de grande autonomia para estabelecer sua rotina. Entretanto, conforme o sistema de manejo vai se intensificando, o homem vai assumindo o controle disso.

Neste texto, vamos abordar os fatores envolvidos na rotina de um confinamento, principalmente no que se refere a rotina de trato!

gado confinado

Por que uma rotina bem estabelecida é importante para os bovinos?

Uma vez confinados, esses animais podem desfrutar de grandes benefícios, como proteção contra predadores, água sempre disponível, próxima e limpa e, alimentação equilibrada e a vontade.

Entretanto, especialmente no que se refere a alimentação o homem assume a responsabilidade de cultivar uma rotina para esses animais.

A busca de uma rotina bem estabelecida vai além do atendimento de costumes e hábitos ancestrais dos animais, ela tem grande interferência em questões fisiológicas de funcionamento do rúmen.

O Rúmen é uma câmera anaeróbica de fermentação contínua e, portanto, seu funcionamento eficiente depende da entrada de insumos de maneira frequente e equilibrada que permitam pouca variação das condições de ambiente ruminal e, portanto, menor variação de populações microbianas específicas para cada tipo de dietas.

Mudanças de formulações, de ingredientes e de ritmo da ingestão de alimentos, por exemplo, promovem alterações do ambiente ruminal e consequentemente, do equilíbrio presente nas mais de 500 espécies de bactérias, além dos fungos e protozoários presentes no rúmen.

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Por que se preocupar em estabelecer uma Rotina em sistemas intensivos?

No confinamento, o momento mais crucial para esses animais é a adaptação.

No que se refere ao estabelecimento da rotina, é neste período que eles precisam se adaptar a um novo grupo social, em um novo ambiente físico com uma nova dieta, disponível em um período diferente do que ele estava acostumado.

Sabendo disso, os técnicos organizam um protocolo de adaptação para esses animais em confinamento que duram algumas semanas.

Neste período ocorre a adaptação dos hábitos de rotina dos animais, do relacionamento com o novo grupo social, das populações microbianas no rúmen e dos órgãos internos dos bovinos, em especial o fígado e das papilas do rúmen.

Sabemos que em rotinas de manejo bem conduzidas os animais se adaptam mais rapidamente. Os animais aprendem o horário que a distribuição de ração acontece e disso deriva seu horário para levantar e também os disparos dos estímulos hormonais de fome.

boi confinado

Qual o impacto de Rotinas bem estabelecidas?

Como dito anteriormente, no confinamento assumimos a responsabilidade de estabelecer a Rotina desses animais, em especial no que se trata de horários e quantidades de ingredientes fornecidos. 

Ao amanhecer, no momento que o lote está recebendo seu primeiro trato é interessante que os animais tenham apetite para comer.

Chamo aqui de “apetite” aquela fome “normal” que também sentimos nos momentos das nossas refeições. Você provavelmente percebe que aquela fome é fruto de uma rotina que você estabeleceu na sua vida e seu corpo aprendeu, assim momentos antes ele já começa “te avisar” liberando suco gástrico, etc.

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Acontece que se a refeição atrasa deixamos de sentir fome e passamos a nos sentir famintos.

Essa condição de “Faminto” para os bovinos é extremamente negativa para a homeostase ruminal. Lembra que citamos acima a importância do fluxo contínuo de insumos no rúmen?

Pois é, se os animais estão famintos, disputando com agressividade o acesso ao cocho, significa que eles vão ingerir rapidamente a refeição servida, e isso é um problema sério para bovinos.

Quando falo que o problema é sério, não quero dizer necessariamente que eles terão sinais clínicos de distúrbios alimentares. Podem ter sim.

Mas mesmo que não tenham tais distúrbios, saiba que você não está respeitando o animal, sua fisiologia e o seu cultivo de microrganismos ruminais. Isso se traduzirá em perda de eficiência produtiva.

Se isso acontece com frequência, então temos uma grande oportunidade de melhorar seus resultados no confinamento.

Como identificar que há problemas com a rotina?

Quando esse problema de falta de estabelecimento da rotina é sério no confinamento, fica fácil de perceber:

  • Animais próximo ao cocho, esperando fornecimento muito antes dele ocorrer, inclusive de madrugada
  • Disputa por acesso ao cocho mesmo quando o espaçamento é tecnicamente adequado
  • Comportamento de sodomia recorrente durante todo o dia;
  • Muita ocorrência de problemas de casco, principalmente nos membros posteriores;
  • Animais correndo atrás do vagão e se amontoando a espera dele;
  • Muitos entreveros e animais nos corredores mesmo havendo boas cercas;
  • Consumo instável da ração ao longo dos dias;
  • Ração estragando no cocho;
  • E muitos outros problemas

distribuição cocho

Tudo isso pode não ser muita novidade se você tem experiência com sistemas intensivos de produção de bovinos. A importância do estabelecimento da Rotina é amplamente reconhecida por produtores e técnicos.

Ainda assim, poucos priorizam o estabelecimento de um processo de logística criterioso e inteligente para fortalecer a rotina dos animais.

Como avaliar a situação e tomar decisões?

O fato de poucos priorizarem é perfeitamente compreensivo, pois normalmente tomamos atitudes diante de evidências claras do problema.

Dificilmente o fumante que quer eliminar esse hábito, toma uma atitude definitiva antes de receber um forte impacto de danos que estão sendo causados por esse hábito.

Portanto, nossa atitude diante de um problema, normalmente deriva de um “gatilho” que nos impacta verdadeiramente.

Neste ponto, apresentamos a vocês um novo indicador PRODAP VIEWS PRIME: relatório de qualidade de rotina. 

Com o advento da automação pudemos coletar com precisão o horário que cada lote recebe cada refeição a cada dia e assim, medir, monitorar e gerenciar o estabelecimento da rotina.

A imagem abaixo exemplifica a visualização desse relatório que pode ser acessado em nosso BI – Prodap Analítics:

relatório prodap views

Nesse exemplo verificamos um confinamento em que 79,7% dos tratos acontecem com um desvio mínimo de 20 minutos de um dia para outro em cada curral.

Ainda podemos desdobrar esse indicador em várias frentes (por dieta, por trato, por setor, por dia, semana, etc.) para encontrar oportunidades de melhorar.

Consideramos que esse confinamento é um bom exemplo de rotina bem estabelecida e conseguimos fazer um bom pararelo de causa-efeito usando o PRODAP VIEWS para estudos de benchmark dos clientes PRODAP.

Para finalizar, relembro aqui que esse relatório é apenas um gatilho para tomar atitudes realmente relevantes para o resultado do confinamento.

Montar uma logística eficiente não é fácil, pois equipamentos quebram, há dias de chuva, lotes mudam de dietas do plano nutricional concebido, falta insumos, engajamento da equipe, fins de semana, dia de jogo do flamengo, etc.

A verdade é que não existe solução fácil para problemas complexos, mas com ferramentas apropiadas podemos seguir com mais eficência em um processo de melhoria contínua!

Peça uma apresentação sem compromisso do Prodap views e entenda um pouco mais como este software pode te ajudar a ter mais lucratividade na atividade!

 

Sobre Walter Patrizi

Veterinário (UFMS) com mestrado em Nutrição de Ruminantes (UFMG), Executive MBA (FDC) e pós-graduações em pecuária de corte e finanças.
 
Atua no mercado de pecuária de corte desde 2002. Atualmente, atua como Gerente de Grandes Contas na Prodap. 

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